Mães usam apitos e facão contra roubos na Região da Cracolandia
Antes do sol nascer e com as ruas ainda pouco movimentadas, apitos e assobios ecoam entre prédios nos arredores das avenidas Duque de Caxias e São João, na região central de São Paulo, nas proximidades da cracolândia.
Na era dos aplicativos de mensagens, mães moradoras da maior cidade do país adotaram a tecnologia primitiva de comunicação para avisar a vizinhança que estão a caminho do ponto de ônibus onde embarcam seus filhos rumo à escola.
Com o barulho, elas se agrupam para tentar afugentar assaltantes que agem na região e, ao mesmo tempo, mantêm dentro das bolsas ou em casa seus telefones celulares. Os aparelhos são cobiçados por criminosos que atacam em bandos e fogem a pé ou de bicicleta em direção à cracolândia, buscando camuflagem em meio aos dependentes químicos.
A comunicação com apitos teve início neste ano, após assaltos ou tentativas vivenciadas ou testemunhadas pelas mães na região, conta a securitária Carmen Lucinda, 53. Ela comprou e distribuiu os apitos para as colegas.
O uso de armas brancas e outros dispositivos de segurança pessoal passou a ser comum e reflete a descrença da população na eficácia da polícia para combater a criminalidade, diz o sociólogo Pablo Almada, pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da USP e morador da região central paulistana.
